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Rising II - Yoko Ono
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Rising II - Yoko Ono

O preconceito e minha suspeita a consideração de tudo e todos pode ser minha eterna salvação ou minha eterna ruina.
Quem aqui já ouviu falar de Jon Lennon? Acredito que todos que estão lendo, se nunca ouviram o nome Jon Lennon, já devem ter ouvido alguém citar, aqueles que são os mais famosos que o próprio Jesus Cristo “Os Beatles”. Existe aquele aforismo que diz que por trás de um grande homem sempre há uma grande mulher, eu discordo disso, acredito que uma grande mulher, se não está a frente estará sempre ao lado de seu companheiro, e esse é o caso da nossa homenageada do mês, YOKO ONO, especificamente falando de um disco em especial: o Blueprint For A Sunrise (2001).
Essa história que irei partilhar já está mais que batida para alguns íntimos, mas para vocês leitores espero que não. Não sei bem como foi que aconteceu meu primeiro contato com os Beatles realmente, mas eu me lembro do primeira musica que cantei toda, e de como foi conhecer por consequência a Yoko Ono, nossa homenageada do mês.
O papai tinha uma loja que revendia moveis antigos, e dentre eles me lembro que tinha uma vitrola enorme e que quando ela chegou, tínhamos quase se não mais de mil discos que estão guardados em algum lugar por aqui que não sei onde até hoje, me recordo que a pessoa que havia vendido a vitrola ao papai era muito eclética, eclética ao extremo, ou então se tratava de uma família grande, pois não seria possível um cérebro gostar de Aeroshimit, Black Sabah, Beatles, Daniela Mercury, trilhas e mais trilhas de novelas do tempo em que Roberto Marinho ainda poderia ter sido lançado como galã da globo.
Brincadeiras a miúde vamos continuar. O primeiro disco que tive contato foi o dos Beatles, o Please Please Me 1963, onde estampava uma foto deles em uma sacada de uma escada. Lembro-me que a primeira musica que tocou foi: Love Me Do. Eu deveria ter uns 6 ou 7 anos e todo aquele gingado e som, mesmo sem eu entender uma palavra dita em inglês me extasiava de uma forma inconfundível , eu nunca havia tocado em nenhum outro disco que não fosse de música cristã, (evangélica), ainda mais por poder ter a experiência de eu mesmo encaixar ele no deck para tocar em uma vitrola imensa que fazia o som rugir como se estivéssemos em uma grande casa de shows, o papai era evangélico, e tinha muito critério em relação a musicas que ouvíamos em casa, porém na loja onde ele trabalhava era diferente, ele queria atrair a clientela e deixava-me ficar com a vitrola quando estava de bom humor, e obvio ele queria destaque para vender a mesma, e se ela ficasse parada os clientes não a veriam ou ouviriam seu som nunca, eu não sei ao certo, se foi por sorte ou azar, só sei que a vitrola me acompanhou por mais uns longos 8 anos, antes de ser vendida.
Além do disco dos Beatles tínhamos também um disco de uma mulher japonesa chamada Yoko Ono, que eu viria saber um pouco depois que se tratava da esposa do Jon Lennon e que o mesmo Lennon era da banda Beatles, ao qual eu gostava tanto, o disco que a Yoko aparecia na capa era Yoko Ono/Plastic Ono Band de 1970. Lembro-me que devorei cada som diferente e anormal sedenta mente a voz sintetizada e os ruídos me faziam sentir estranheza, mas ao mesmo tempo me soavam tão absurdamente familiar e me completavam.
Yoko Ono Yoko Ono, hoje está no cume de seus 79 anos além de cantora, é também cineasta e artista plástica vanguardista é japonesa, viúva de John Lennon com quem teve dois filhos. Atualmente vive em Nova Iorque.
Suas obras, sempre abordam estranheza e introspecção tanto nas musicais quanto nas plásticas todas são imensamente conceituais e cheias de significado, mesmo que ligeiramente tragam de início certa estranheza, são caracterizadas pela provocação, verdeando sempre temas pacifistas.
Lembro-me bem que tinha ouvido falar que ela foi a causadora da discórdia entre os Beatles, mas é notável saber que tudo que começa um dia o tempo faz o favor mais que coerente de terminar, e se caso ela foi um desses elementos que contribuíram para o episódio do termino da banda é porquê além de talentosa artisticamente, ela tinha pulso em sua relação com o Lennon que me faz mais ainda pensar nela como um bravo ser humano.
Na infância, Yoko estudou piano e canto em escolas de artes renomadas do Japão, ela vinha de uma família que tinha posses e podia banca-la durante esse tempo. Durante a adolescência ela viajava constantemente entre o Japão e os EUA. Adquirindo assim todos as características que hoje agrega em seu trabalho impar com referências orientais e ocidentais mescladas como uma única cultura de um modo como só ela consegue revelar.
Em 1952, mudou-se definitivamente para Nova Iorque. A partir de então frequentou a faculdade de música Sarah Lawrence, onde conheceu um de seus maiores influenciadores na música psicodélica e Progressiva Jonh Cage, chegaram formar um grupo juntos o Foxes que nem foi tão a frente, mais deixou um legado junto com Yoko do que viria a ser a o inicio pioneiro da música eletro acústica.
É muito abstruso chegar logo ao assunto do disco ao qual vai ser feita a análise pois a Yoko é realmente uma artista grandiosa, e cercada de elementos que foram importantes para sua consagração mundial.
Pois bem! Vamos ao que interessa: O Blueprint For A Sunrise foi um álbum lançado em 2001 com todas as letras e músicas compostas pela própria Yoko seu tema de grande relevância é o sofrimento recorrente que as mulheres tem tido por toda a história da humanidade. No encarte, Ono fala sobre a relevância do feminismo e de que a concepção do álbum foi feita após ela acordar no meio da noite ouvindo milhares de mulheres gritando. O álbum vendeu cerca de 3.000 cópias nos EUA, uma marca imensa para uma cantora que mistura elementos de rock com psicodélica e experimentalismo em seus trabalhos. Não vá ouvir o álbum acreditando que você vai conseguir ter uma linha tênue do trabalho da artista, ou que ele possa lhe mostrar um caminho a ser seguido musicalmente, pois os sussurros e os gritos são mais constantes e muito importantes e excepcionalmente bem empregados na forma em que a Yoko compõe suas melodias e os usa incrementando os sons dos instrumentos dentro desse trabalho!
Todas as músicas tem um teor underground que compõem um álbum singular e espetacular, composto de 11 faixas sendo que as mais destacadas por mim são:
“I Want You to Remember Me “A””
Eu quero que Você me lembre “A” em tradução livre.
em trechos é muito perceptível o desespero de uma mulher que está prestes abandonar o lar e o companheiro porém é logo agredida e morta!
Com sintetizadores que distorcem a voz da Yoko pondo-a em dois papéis o masculino e no feminino, e uma batida mecânica da pulsação de um coração de acordo com as emoções expressadas pela letra, embalam o dialogo:
“Eu tinha que fazer isso
Eu tinha que fazer isso
Não havia escolha
Eu disse, querida, eu sinto muito
Não fique com raiva, ok?
Eu … o quê? Eu … o quê?
Eu quero sair
Você quer sair
Fora? Fora?
Quem você acha que você está
Sua cadela ingrata
Vou jogá-lo em uma vala
Ele me agarrou, me amordaçou, espetou-me, me apunhalou
Oh, ela está tentando engatinhar, ela está tentando chamar
Quem você acha que você está chamando, princesa?
Alguém alguém,
Não há ninguém, entendeu?
Não há ninguém
Você não vai a lugar nenhum
Entendeu? Entendeu? Entendeu?”
Destaque também para: as guitarras bem postas em um arranjo na letra de: “Is This What We Do” (É isso que nós fazemos) que exalta a importância do papel da mulher, na construção da vida, expondo também a destruição de seus valores na sociedade.
“É isso o que podemos fazer para nossas mulheres
É isso que nós fazemos a nossa própria
Ela nos dá a vida, ela nos dá amor
Em troca, machucá-la
Nós dizemos-lhe que é melhor
Nós dizemos-lhe que vai levá-la
E quando sentimos que ameaçam o nosso poder
Nós iríamos a bater nela
É isso o que podemos fazer para nossas mulheres
É isso que nós fazemos a nossa própria
É assim que nós perdemos o nosso mundo
É assim que nos perdemos.”
A Faixa Rising II (Ascensão II ) é uma das faixas mais extasiantes do álbum, pois ela nos dá uma versão ao vivo de 12:00 minutos da pura essência do que seja Yoko Ono e seu trabalho! Como ela mesma diz em um trecho da música, ela “manifesto-me indignada como uma entidade que define todas as mulheres anunciando a Ascensão da autoestima feminina!”
“Ouça seu coração,
Respeite sua intuição.
Faça a sua manifestação,
Não há nenhuma limitação.
Tenha coragem,
Ter raiva, estamos todos juntos.”
Grita ela com uma voz rouca e efusiva cheia de garra e fervor!
It’s Time For Action! (É Hora de Agir) Pede em várias línguas diferentes, inclusive em português para que as mulheres ajam depressa e não se deixem reprimir embaladas a uma percussão contagiante!
A faixa mais descontraída e dançante do álbum é: I’m Not Getting Enough uma espécie de reggae caribenho! Que emociona com sua sutileza ao dizer simplesmente que: (Eu Não Estou Recebendo o Suficiente.)
O Blueprint For A Sunrise não é um álbum para ser entendido, ou apreciado ceticamente, pois sua postura musical é muito diferente da que estamos acostumados a contemplar contemporaneamente, ele é construtivo em entrelinhas de manifestação experimentalista e desconstruído nas entrelinhas da métrica musical.
Ele é uma manifestação interior, que busca alcançar o maior número de pessoas por meio de uma revolução interior de sensações buscando desenvolver a autoestima massacrada da mulher durante toda a história da humanidade.
Por: Gui Oliveira
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Adoração - Filipe Catto

Logo quando entrei em contato com o trabalho do Filipe Cato, foi exatamente parecido com outras vezes com muitos outros artistas que ouvi aleatoriamente na radio, ouvi, e gostei, e só depois de outras impressões e contatos é que vim perceber, que eles jamais sairiam de minha vida. Com a impressão errada do que se tratava, eu deixei escapar a maravilhosa sensação do qual o Filipe tinha me proporcionado ao ouvi-lo, lembro-me que com a Winehouse foi exatamente parecido! As rádios brasileiras tem um péssimo costume de tocar as musicas dos artistas e esquecer-se de comantar um tanto mais sobre as mesmas, para que com tal comentário possa despertar no ouvinte a curiosidade de buscar mais sobre a mesma, ou mesmo sanar duvidas e interesses instantâneos sobre o novo artista que está se lançando, ou aquele velho artista que está sendo tocado.
Tinha ouvido no radio em 2004 Take in the Box do primeiro álbum da Amy Winhouse, e fiquei muito impressionado, minhas percepções me fizeram logo imaginar uma negra cantora americana, mas o meu preconceito mesclado as minhas percepções, me fizeram pensar que eu ia me deparar com mais uma cantora norte americana que faria um belo hit e depois correria para o anonimato rapidamente, da mesma forma que chegou às rádios, A musica da Amy era tocada e não tínhamos informação de quem e de onde ela era.
O mesmo ocorreu com o Filipe Cato, eu o ouvi na radio a cerca de um ano atrás, foi a musica: Adoração, recordo-me que a minha primeira impressão foi: “ Zeus meu! Como pode? Joanna está cantando tão afinada, e esse repertorio? Tão diferente do repertorio cristão que ela costuma escolher!” Como eu já havia dito em linhas acima, o nome do cantor foi dito antes da musica começar a ser tocada, e não foi repetido no final, e nem foi dada muitas informações sobre o artista em questão que haviam acabado de tocar, então meu preconceito em relação a cantora Joana está interpretando a bela musica, fez-me rapidamente esquecer parcialmente a musica do Felipe que havia terminado de ouvir , fui enganado por minha própria percepção, deixe-me passar achando ser da Joanna a bela e afinada voz do Filipe Cato.
Depois de algum tempo um Amigo (Emerson Farias) de gosto musical muito parecido, me apresentou a musicalidade e afinação impar de Felipe Cato, aliás, afinação é uma marca registrada do garoto nascido em Lajedo RS e criado em Porto Alegre. Com apenas vinte e três anos ele lança seu primeiro álbum o “Fôlego”. Após, uma carreira que veio se fortificando ao longo da vida, onde começou a cantar “profissionalmente” desde os 11 anos acompanhado do pai, que era musico de uma banda que tocava em Bailes e formaturas, logo na adolescência Catto partiu para cantar em barzinhos como muitos músicos fazem, acredito eu que nessa experiência ele pôde ter mais proximidade com a obra de outros artistas, e utilizar do trabalho desses como experimentalismo e criação de sua própria identidade musical, o principal foco do Filipe nessa época foi o Rock brasileiro com pegadas de Rita Lee, Titãs, e Cassia Eller.
Saga foi um EP lançado em 2009 em redes sociais pelo artista com download gratuito, ele cresceu profissionalmente e pode ser visto e ouvido por uma gama maior de pessoas, o EP foi um estouro. Além de cantor Filipe Catto é também violinista, pianista e compositor de varias das musicas que foram gravadas durante a sua carreira.
O contrato com a gravadora Universal Music só veio bem depois quando o mesmo teve que se mudar para o grande polo cultural do país, onde os artistas buscam mais visibilidade e fazem suas carreiras desabrocharem para o mundo.
Acredito que o Filipe não precisou de sorte, pois, o talento dele é bem perceptível e refinado e deve ter sido uma impressão impar para que seu trabalho fosse reconhecido e aceito imediatamente pela critica especializada e pelo publico.
É em provável que assim como no inicio de carreira de muitos grandes artistas o Filipe já tenha sido comparado, com outros cantores durante a “curta” carreira; Eu mesmo no inicio do texto, abordo a questão da voz dele me soar imediatamente parecida com a voz da cantora Joanna, porem, com uma afinação que a mesma se esforçaria muito para alcançar, já deve ter sido com certeza comparado com o grande interprete da musica brasileira o nosso Rei Maior Ney Matogrosso, é inegável que isso seja irreal, pois tanto o repertorio como o timbre realmente são muito parecidos, mas a carreira de Felipe só está começando para que alguém possa compara-lo com alguém.
Sua voz é uma arma especial, mas, sua sensibilidade dá a ela a interpretação maior para enriquecer o seu trabalho, Filipe é um contra tenor, uma definição que se aplica muito mais à música erudita do que à popular, mas tecnicamente falando é um cantor de voz especialmente extensa que atinge graves de barítono ou baixo se quiser, mas que lembra uma voz feminina de registro mais grave.
Dentre as musicas mais impressionantes que temos no álbum Fôlego são:
Adoração: Que é uma musica abre alas encantadora para o seu álbum e acredito que a letra diz muito das outras musicas, que compõem o resto do repertorio, sua voz sutil e firme corta o silencio de uma guitarra fina seguida de uma percussão seca, uma espécie de Blues Folk, muito bem arranjada!
“Como relâmpago, silêncio
Passe de milagre você me pintou
Me toma em teu compasso
Que só no teu abraço
Que eu me escondo do mundo
Pele que é pele não mente
Não esconde, não dissimularia
Meu corpo seja palco
Vertido e tomado em pelo à tua poesia”
Jonnhy, Jack and Jemeson: É um jazz a altura da maravilhosa Billie Hollyday, mas foi composto para homenagear uma das suas cantoras favoritas que é a Amy Winhouse, uma vez será necessário dá muitas palmas para a afinação da voz do rapaz nessa faixa.
2 Perdidos: Que é uma maravilhosa canção de Arnaldo Antunes , o Felipe faz dessa canção como se fosse sua! É um espetáculo ouvi-lo cantar tão familiarmente.
Saga- que é de sua autoria dentre muitas outras, é um bolero maravilhoso onde ele mostra o amor como uma Saga que deve ser enfrentada :
“Se eu soubesse que o amor é coisa aguda
Que tão brutal percorre início, meio e fim
Destrincha a alma, corta fundo na espinha
Inebria a garganta, fere a quem quiser ferir
Enquanto andava, maldizendo a poesia
Eu cantei a história minha pr´uma noite que rompeu
Virou do avesso, e ao chegar a luz do dia
Tropecei em mais um verso sobre o que o tempo esqueceu”
As Letras são compostas com muito charme e refinamento.
Uma Releitura da Musica de Reginaldo Rossi Garçom fica definida e límpida, a musicalidade e os arranjos e a forma em que o Filipe consegue interpretar dão uma aura de classe a musica que foi por muito tempo tida como “brega”.
Crime Passional: dentre elas é mais Tango, bolero, samba canção, mesclado a elementos do samba e soam musicalmente belos e uníssono.
Conta um drama de amor com letras poeticamente maravilhosas nos levando a um universo único e emocional maravilhoso do trabalho do Filipe.
Acredito que dentre uma safra de cantores jovens contemporâneos frustrados posso citar exemplos de Cesar Camargo Mariano, que ainda não sei dizer insiste em cantar ou mesmo o deslocado Marcelo Camello em sua carreira solo; Felipe Catto surgiu como a salvação, em meio ao caos, aquela promessa jovem, bela e cheia de vida que nos dá a chance de sonhar que a musica brasileira contemporânea, possa ter um futuro interprete promissor.
Por: Gui Oliveira
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Samson and Delilah (Aria)

Como definir ou mesmo escrever algumas linhas sobre um artista que pouco deixou sobre seu trabalho e vida pessoal, já que o mesmo faleceu pouco antes de sua carreira musical explodir:
A carreira de Klaus Nomi começou em 1972, quando Nomi apareceu no campo da produção satírica da ópera Das Rheingold, de Richard Wagner, na Charles Ludlam’s Ridiculous Theater Company. Nomi quando criança gostava muito de imitar tanto as vozes femininas das grandes cantoras de Opera como dos Grandes cantores da década de 40 e 50; como havia dito antes, a biografia do cantor é muito escassa, mas segundo alguns depoimentos de amigos, existe a lenda de que o mesmo teve forte influência da cantora Nina Hagen, sua conterrânea e que ele já apresentava sua performance teatral como o mesmo gostava de trata-la na Alemanha nos meados até o final da década de 1960. Mudou-se da Alemanha para New York no começo da década de 1970; Após um encontro num nightclub gay, David Bowie contratou-o como cantor de suporte para uma atuação no Saturday Night Live em 1979. Nomi também colaborou com Manny Parrish.
Depois do encontro oportuno foi bem fácil achar varias casas noturnas interessadas em seu espetáculo performático, Klaus se vestia e cantava de um jeito que nenhum outro tentou outrora, e é possível que nem atualmente tenhamos um artista masculino que foi tão “bizarramente” caracterizado moldando ousadia e talento.
Klaus se vestia com uma espécie de fantasia que pelo meu entendimento seria um arquétipo de sonhos de seu próprio passado quando criança costumava se vestir como personagens históricos da década de 30 uma espécie de casaca, parecida com um fraque quase sempre em preto e branco, e os cabelos devidamente metarfosiados em algo meio retro e futurístico.
Sua musica não era diferente: Klaus compunha uma musica Underground e ao mesmo tempo em seu repertorio incluía Arias e Belíssimas canções de Opera as quais estava acostumado a ouvir e sempre mesclava essas mesmas a sintetizadores de sons que alteravam e distorciam a versão que ele fazia delas. a voz operática de Nomi empresta um tom muito interessante. Quando ele atinge o refrão de algumas de suas musicas, parece que ele está cantando sobre o apocalipse, que é algo que me pegou e arrebatou-me desde a primeira vez que ouvi-lo.
Keys of Life é a musica que inicia o álbum aqui em questão, fica claro percebermos na abertura da musica um coro de vozes suaves que logo lhe fará imaginar-se em um concerto de musica erudita, mas isso é logo esquecido imediatamente quando: começam a tocar os samples amplificando os efeitos da bateria constante e forte embalada pela Voz contra tenor e Barítono do Alemão.
Lightning Strikes para quem nunca ouviu o Klaus vai achar com toda a certeza do mundo ouvindo os primeiros 30 segundos que se trata de David Bowie! O swing Twist meio punck Rock 70 embala essa canção, logo depois disso vem o refrão que é totalmente vocalizado em barítono, é realmente difícil encaixar as canções do Nomi em algum ritmo conhecido se caso tento só consigo mesclar vários ritmos e assim nomear eles!
Destaque também para: Nomi Song! Que traduz a irreverencia do mesmo! Tanto na letra como na vocalização e no titulo, onde o mesmo tenta apresentar-se a sua plateia: Será que a raça humana / Com seu rosto coletivo / Será que eles me conhecem / Me conhece, me conhece agora?
The Cold song, tem uma orquestra tão linda e limpa no inicio que nos faz suspirar, os arranjos estão no lugar certo e a voz do Klaus entra no momento certo e as palavras ditas são uma especie de suplica a Deus por ele ter nos deixado existir e se o mesmo não pode nos por novamente no congelamento do esquecimento que provavelmente seria o não existir. Essa faixa está em uma das minhas mais que preferidas, sendo que essas palavras são ditas no mais profundo som limpido de um vocalize baritono parecido com um antigo italiano da decada de XV onde se castravam os meninos que quando jovens tinham voz feminina e os faziam perder os hormonios e continuar com a voz feminina; os antigos Castrates.
Total Eclipse talvez seja o carro chefe desse album é pop e é dançante bem espirito da decada de 70 com guitarra afiada e os samples sempre a mão, o conjunto fica excelente quando o Klaus começa a soltar sua voz magnifica em um tom performatico bem proximo a Opera em um arranjo musical de fundo absolutamente pop.
Por fim vem a aria magnifica Sanson and Dalilah do compositor Francês Camille Saint-Saëns, onde ele canta toda ela talvez do modo mais fiel com a original e a surpresa de suas “loucuras” musicais vem somente no final.
É muito interessante o fato da personalidade e das performances do Klaus sempre terem chamado mais atenção do que a sua musicalidade em si, em uma época onde o David Bowie era absoluto, ficou difícil para um artista do mesmo ou talvez quimera patamar superior conseguir emplacar forte sucesso quando já havia um pop star que já cantava e arrebatava multidões, de certa forma na mesma linha andrógena e excêntrica. Além de tudo todos nós sabemos que os americanos tem um patriotismo afiado e provavelmente inconscientemente não trocariam o seu pop star genuinamente americano por outro alemão undergroundizado.
Por: Gui Oliveira
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Raindrops

Formada em Nottingham (Inglaterra) em 1991, tem como características básicas a voz personalíssima, anasalada e de barítono de Stuart Staples, emoldurada por uma orquestra de fundo extremamente luxuosa, basicamente soul e jazz, que tem como principal artífice o arranjador, pianista e violinista Dickon Hinchliffe, e 4 outros componentes responsáveis pelos vários e elaborados instrumentos que povoam os discos do grupo.
Os primeiros dois álbuns, de 1993 e de 1995 respectivamente, levavam apenas o nome do grupo e tiveram imenso sucesso de crítica e boa receptividade de público o que os levou a encenar várias apresentações ao vivo, quase sempre acompanhados por uma orquestra completa.
O álbum Tindersticks é em primeiro lugar um excêntrico, triste, uma obra de arte maravilhosamente original. A voz de Stuart Staples pode não causar tanta boa impressão no inicio, mas as chances são de que, se você não odiá-lo na primeira audição, você vai crescer o amor que o barítono ponhe em sua voz rouca e dura ao mesmo tempo, onde meescla a estranha melancolia trasmitindo todo sentimento nas músicas dos Tindersticks brilhantemente .
O álbum em questão que leva o mesmo nome da banda quando eles sairam para o início da carreira, foram cinco anos de pista dura ralando na estrada para começar a ter um certo respeito e serem contratados para gravar o disco, eles começaram florecendo com um trabalho bem melancólico, taciturno e levemente distorcido de arte. Como Staples canta “Há uma multidão feia dentro de mim que se especializa em violação”, você começa a se perguntar o que é que ele está cantando City Sickness é uma das faixas de destaque do álbum, é como se você entra-se em uma janela pertubadora e contagiantemente brilhante do mundo de Stuart Staples. Patchwork é outra canção linda, é a batida em linha reta de um coração que diz: “Eu tentei amor, nunca parecia tão difícil”; enquanto Marbles é brilhantimente bem orquestrada em cordas e pratos de bateria audiveis até o ultimo momento em um belo estilo Lou Reed de ser, a banda tece uma tapeçaria maravilhosa e estranha de som, enquanto Staples murmura sobre o amor ser “uma série de passos de dança complicados, uma vez aprendido, nunca esquecido “. Mais tarde, musicas como: Jism nos arrebata como se tivessemos tomado um ácido, entramos num mundo onde uma voz nos fala de um conto sombrio e pervertido de ciúme e vingança, o desenlace chegando e Staples pergunta: “Existe mais alguém que eu possa entender? - E matá-los”.
O Ponto alto do álbum, no entanto, vem com Raindrops, uma indizivelmente triste ode, assombrosamente bela de um amor morto, me soa como desmaios os sons dos violinos e os murmúrios do piano, e Staples sussurra “Nós sentamos e assistimos o fosso alargar-se, nos sentamos e ouvimos nossos corações desmoronar” se você não sentir um nó na garganta, você não é humano.
As influências de Nick Cave, Leonard Cohen, The Cure, Lou Reed, Joy Division são obvias, mas faltou o mais óbvio. Soa muito familiar o som com as lentas, baladas hipnóticas do Roxy Music e Bryan Ferry isso me faz pensar que eles estão tendo um flashback de seus dias de faculdade. Os vocais, as cordas, até mesmo o trabalho de violino “solo”, é tão reminiscente do vintage Roxy que eu tenho que acreditar esses caras ouviram um monte de Bryan & Brian. É tão forte que faz fronteira com o plágio. Infelizmente, como de costume, o original é muito melhor. Poucos grupos têm um registro inicial tão impressionante. Tindesticks tem letras emotivas, rifes com desilusão e desespero, com orquestrações discretas e eficazes, com uma voz quase monótona que recita, escurece e às vezes canta, mas que atribui-se integralmente à música e á canção das letras, uma banda que cria uma atmosfera complexa e densa, e, finalmente, o que parece ser um órgão Hammon que espanou a sala de brega, mas ainda tem muito a dizer.
Por: Gui Oliveira

O National começou em 99, como uma banda indie, no melhor estilo do Pavement. Formado por dois pares de irmãos (Devendorf e Dessner), e Matt Berninger. Lançaram álbuns discretos, agridoces, com títulos curiosos, letras pensativas, guitarras limpas, e uma bateria desumana.
Desde sua formação, a banda se mostrou séria, mas com um carisma gigantesco. O arranjo das músicas se encaixam perfeitamente no barítono de Matt Berninger.
Pode-se enxergar uma obra-prima tanto em Alligator, de 2005, quanto em Boxer, de 2007, mas é certo que seu trabalho mais notável veio em 2010, com High Violet.
Com esse título curioso, a rápida participação de Sufjan Stevens e uma sonoridade chuvosa, o álbum traz onze músicas, com o acréscimo de oito, na versão estendida.
A primeira música, Terrible Love, é uma caminhada com guitarras sujas, aranhas, um vocal lento, um refrão agressivo, da sua maneira, e uma companhia silenciosa. Abre o álbum com a promessa de uma solidão melancólica.
Logo em seguida, a beteria meticulosa (presente em todo o álbum), de Sorrow, reflete a letra sincera, a tristeza presente em todo lugar e a incerteza de alguém que precisa de ajuda.
Bloodbuzz Ohio é uma música muito bem trabalhada, que demonstra a agonia de alguém solitário, nostálgico, com contas a pagar. Um momento grandioso no álbum!
A música Little Faith começa com um piano lento, mas cresce até chegar ao refrão, memorável e belíssimo.
A mais lenta e calma é Runaway, que mesmo pela sua extensão pode impressionar o primeiro ouvinte com sua letra pacífica: We dont bleed, when we dont fight, go ahead, go ahead… Claramente uma briga de casal, descrita pelo mais sensato.
Lemonworld, uma das mais notáveis, talvez demonstre a incapacidade de satisfazer outras pessoas. Nos remete a primos, cores e algum lugar sobre os mares. Outra vez devo elogiar o baterista Bryan Devendorf, e a orquestra que acompanha a banda, liderada por Nico Muhly, que trabalhou com o Grizzly Bear, e com Antony & The Johnsons. Trabalho de muita qualidade.
A música mais chuvosa do álbum é Conversation 16. Pessoalmente, essa música me remete a um aeroplano sobre o mar, e consigo ver as gotas de chuva pela janela. Minha favorita do álbum. Todos os elementos fluem perfeitamente. A música se acalma por alguns instantes, mas logo retoma, com um refrão que parece pedir por mais.
O álbum se despede com Vanderlyle Crybaby Geeks, da mesma maneira com que se apresentou. Desolado, mas com alguma esperança. Deixe sua casa, mude seu nome, viva sozinho, coma seu bolo. A letra ainda diz que todo o nosso melhor vem à tona quando estamos apaixonados.
Certamente um dos melhores álbuns de 2010, High Violet é de muito alta qualidade, uma delicadeza impecável e mostra uma banda no auge da carreira. Fãs de bandas como Interpol, Editors, Arcade Fire e Joy Division, com certeza vão se identificar com o National. Mas qualquer pessoa de bom gosto pode encontrar em High Violet, ou em qualquer outro álbum do National, uma verdadeira obra-prima.
Só é necessário dar play.
Por Augusto Baudelaire.